“Dom Quixote – 400 Anos de Paixão”
Esta publicação Dom Quixote – 400 Anos de Paixão, realizada pelo Tribunal de Justiça e Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, pode surpreender o leitor mais desavisado e fazê-lo questionar a razão que teria levado este Tribunal e sua Escola da Magistratura a publicarem textos sobre o grande clássico da literatura universal Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes.
A resposta pode ser encontrada no conhecimento do projeto que vem sendo construído passo a passo, há cinco anos, pelo Departamento Cultural da EMERJ. A programação cultural oferecida pela EMERJ, de forma regular, sistemática e gratuita, tanto ao nosso público interno – magistrados, professores, alunos, funcionários e familiares –, quanto ao público em geral, privilegia o conhecimento e a arte como essenciais à formação do cidadão, no estímulo de valores de tolerância, respeito e compreensão da sociedade.
A convivência com as mais variadas formas de manifestações artísticas, as ciências e as diversas narrativas contemporâneas tem proporcionado o enriquecimento cultural dos magistrados. A abertura desse projeto à comunidade visa contribuir com ações que busquem a inclusão social pela democratização da educação e da cultura, da partilha do saber, da disseminação dos bens relativos à pesquisa, ao conhecimento e à criação.
É dentro desse contexto maior que o TJERJ publica, em conjunto com a EMERJ, estes trabalhos sobre uma das mais ricas obras da literatura mundial.

 
Sergio Cavalieri Filho
Presidente
TJERJ
(Texto transcrito da orelha do livro)



Em julho de 2005, o TJERJ e a EMERJ foram palco de um conjunto de eventos em homenagem aos quatro séculos da primeira edição de Dom Quixote. Atores, escritores, professores e juristas reuniram-se em torno dessa obra, através de leituras e conferências. Esta publicação vem coroar tal iniciativa, promovida pelo Departamento Cultural da EMERJ, e possibilitar o (re) conhecimento das conferências ministradas em Dom Quixote – 400 Anos de Paixão.
É uma honra para a EMERJ realizar este empreendimento em parceria com o TJERJ e contar com o apoio de outras importantes instituições culturais, Instituto Cervantes e Projeto Portinari, e com o patrocínio do Banco do Brasil.
Este livro dirige-se aos magistrados deste Tribunal de Justiça e àqueles que se interessam por Dom Quixote, leitura essencial para todos os humanistas.

 
Paulo Roberto Leite Ventura
Diretor Geral
EMERJ
(Texto transcrito da orelha do livro)


 

DOM QUIXOTE NA EMERJ

A Escola da Magistratura, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ/TJERJ), é responsável pelo aperfeiçoamento dos magistrados numa perspectiva de educação permanente, e também oferece, a outros profissionais do Direito, preparação através de curso regular para concurso de ingresso à carreira da magistratura.

Desde 2001, a Escola da Magistratura oferece projeto de cultura em caráter de extensão à formação do magistrado e aberto à sociedade como um todo. O Cultural EMERJ destina-se a promover eventos que estimulem o aperfeiçoamento da formação humanística da magistratura por intermédio de ações artísticas e culturais que fortaleçam o diálogo entre o pensamento jurídico e as diversas áreas do saber e da arte, reunindo operadores do Direito e integrantes de diversos segmentos da sociedade, para o fortalecimento da cidadania.

O Cultural EMERJ desenvolve a sua programação por meio de breves cursos e  ciclos de conferências, nas mais diversificadas áreas do conhecimento; encontros literários, apresentação de eventos artísticos – peças de teatro e projeções de filmes, seguidos de debates, recitais de música popular e erudita, além da produção e realização do projeto Teatro na Justiça –, leituras encenadas que integrem as áreas de Teatro e Direito.

Neste ano de 2005, o Cultural EMERJ participa das homenagens que em todos os cantos do mundo lembram o aniversário da primeira edição daquela que, no início do século XXI, foi considerada por um seleto grupo de escritores do mundo inteiro como a maior obra de ficção de todos os tempos: O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes Saavedra.

As aventuras do cavaleiro andante e seu fiel escudeiro fazem parte do patrimônio cultural da humanidade. São lembradas tanto por aqueles que tiveram a oportunidade de lê-las, quanto por outros que conhecem, por tradição oral, algumas das mais famosas passagens vividas pelos nossos heróis. Quem não ouviu falar, por exemplo, do episódio dos moinhos de vento?

A viagem de Dom Quixote e Sancho Pança tem servido de inspiração a artistas plásticos, escritores, poetas, músicos, cineastas e estudiosos do mundo inteiro. Hoje, a quatrocentos anos do seu nascimento, continua alimentando nossa imaginação e espírito. Dom Quixote e Sancho se descolaram da história e passaram a habitar o imaginário de todos nós, tornando-se arquétipos dialéticos de “fantasia e realidade”, “espírito e matéria” ou “loucura e bom-senso”.

É impossível entrarmos em contato com as aventuras de Dom Quixote e não nos apaixonarmos pela sã loucura do cavaleiro da triste figura ou com a sábia ignorância do seu bonachão escudeiro. Personagens patéticas, divertidas, humanas, vivas, que saem das páginas e nos cutucam ora com a lança, ora com a barriga, e nos lembram que é necessário ter a coragem de sair pelo mundo, abandonar o cômodo mundinho, ir em busca do novo, da aventura, do desafio de entrar em contato com o outro, com o diferente e com o próprio sonho. 

Para pensarmos sobre o arrebatamento que essa obra é capaz de causar no leitor há apenas quatrocentos anos, organizamos em julho deste ano um ciclo de conferências sob o título Dom Quixote – 400 Anos de Paixão. E reunimos em torno da obra cinco Quixotes – dois poetas, dois professores e um jurista: a professora de literatura espanhola Maria Augusta da Costa Vieira, os poetas Ivan Junqueira e Ferreira Gullar, a professora de literatura portuguesa clássica Adma Fadul Muhana e o advogado e processualista espanhol Francisco Ramos Méndez. Juntos partimos em viagem ao encontro do Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha.

Em nosso primeiro encontro com Dom Quixote, Maria Augusta da Costa Vieira apresenta-nos em linhas gerais a obra de Cervantes, chamando a atenção para alguns aspectos relacionados com a condição do leitor do Quixote e com a variedade de leituras com que a obra contou ao longo dos tempos.

Ivan Junqueira remete-nos ao feliz encontro da literatura brasileira com Dom Quixote, e as influências que exerceu Cervantes sobre a literatura brasileira já a partir do século XVII.

O encontro de Gullar e Cervantes é o de dois criadores, que se emocionam e se transformam com os diálogos de Dom Quixote e Sancho Pança. Ferreira Gullar instiga o leitor a pensar sobre o  mistério da própria criação literária. 

A partir das primeiras palavras de Dom Quixote: “Em um lugar da Mancha, de cujo nome não quero recordar”, Adma Fadul Muhana encaminha o leitor ao encontro do outro autor, que não Cervantes: o historiador arábigo Cide Hamete Benengeli.

Por último, Francisco Ramos Méndez encontra-se com “o valoroso Dom Quixote de La Mancha, o desfazedor de agravos e injustiças”. Deixando claro para o leitor mais desavisado que o agravo, o torto, a desavença, não são necessariamente o que seria consenso entre os mortais comuns, mas as situações que Dom Quixote compreende como tais.

Embeleza esta publicação o encontro de dois grandes artistas brasileiros com a obra de Cervantes: Drummond e Portinari. Em 1956, Candido Portinari fez uma série de 21 desenhos inspirados em Dom Quixote e Sancho Pança. Em 1970, Carlos Drummond de Andrade, inspirado nos desenhos de Portinari, realiza 21 poemas. O primeiro da série, Soneto da Loucura, foi escolhido para epígrafe desta publicação; e sete dos desenhos de Portinari ilustram estas páginas.

A publicação destas conferências só foi possível pela cooperação entre o TJERJ, a EMERJ, o Instituto Cervantes, o Projeto Portinari e o Banco do Brasil que, imbuídos de coragem, reuniram esforços para realizá-la em tempo recorde.

Registro minha gratidão à equipe do Cultural EMERJ que, com dedicação incansável, tornou realidade mais este trabalho, em especial, Renata Blasi, “fiel escudeira”.

Recebam este trabalho como modesta homenagem a uma das mais importantes obras da literatura mundial. Esperamos que estes fortuitos encontros façam nascer no leitor a vontade de encontrar ou reencontrar nossos heróis e se deliciarem com suas aventuras.

 
“(...) los niños la manosean, los mozos la leen,
los hombres la entienden y los viejos la celebran.”
(D.Q. II:3)

 
Sílvia Monte
Diretora
Cultural EMERJ
(Texto transcrito da apresentação do livro, publicado em 2005)



Dom Quixote: A Obra e seus Leitores
Maria Augusta da Costa Vieira

Cervantes e a Literatura Brasileira
Ivan Junqueira

O Encontro de Quixote e Gullar
Ferreira Gullar

O Narrador Árabe do Dom Quixote
Adma Fadul Muhana

Dom Quixote e a Justiça
Francisco Ramos Méndez

Apêndice
Dom Quixote / Cervantes – Portinari – Drummond
Projeto Portinari

Mais informações entre em contato: culturalemerj@tj.rj.gov.br 

 

 

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